A pandemia e o futuro de Ilhéus, por Alcides Kruschewsky
Teremos um enorme desafio pela frente. Estamos dentro de um problema que escancara a nossa fragilidade e despreparo para enfrentarmos situações extraordinariamente adversas e sem que tenhamos os meios adequados. Essa crise abre a porteira para outras que vão se suceder.
O problema passa a ser o próximo e complicadíssimo mandato eletivo municipal, o do pós pandemia. Município, estado e país, quebrados, planeta quebrado. Se a sociedade Ilheense permanecer como se o problema fosse só da gestão e não de todos, e se a nova gestão entrar com o espírito de "é a minha vez e da minha turma", pode esquecer de qualquer possibilidade de avanço e se prepararem para o sucateamento das poucas, mas preciosas conquistas dos últimos anos.
Fica cada vez mais evidente o vazio, a ausência de lideranças capazes de jogar luz sobre a treva. Qual o candidato a prefeito à altura do que exige o momento, dessa necessidade imperativa, que seja capaz de estar à frente dessa cidade face ao caos que virá e que será o maior desafio da história politico administrativa de Ilhéus? A mesmice nos levará juntos para o ralo.
Uma das perguntas a ser feita é sobre, a nível municipal, que iniciativas poderão estimular a retomada das atividades, num cenário descapitalizado? Os incentivos vindo de outras esferas serão insuficientes para o grande e necessário esforço que só o conjunto pode realizar. Esse esforço deve se dar em todos os níveis de poder e pela sociedade, que já vem pagando alto preço. Se, no entanto, o projeto for ortodoxo, baseado apenas em princípios como o da receita irrenunciável, estaremos perdidos. O extraordinário não pode ser enfrentado com conservadorismo.
É preciso coragem para medidas heterodoxas, para desconstruir tradicionalismos de ações e comportamentos. Explico: como a coisa pública vai poder arrecadar de quem não tem? Vai ser essa a situação. Vai sair negativando CPFs, alijando empreendedores e cidadãos comuns do cenário e barrando acesso ao crédito? Portanto, tanto mais rodar para soerguer, maior a evolução da arrecadação futura. E isso implicará no enfrentamento do imediatismo contido nas demandas sempre acumuladas e crescentes. As pessoas já não tem paciência , mas se fará necessário que esta seja, ainda mais, exercitada. Não vejo outro caminho.
Diante do que vai acontecer, qualquer vantagem oferecida por outro município, leva uma empresa a mudar de endereço. O próximo governo terá o maior desafio da história. A próxima gestão é a gestão do sacrifício de popularidade, da promoção do pacto social, da unidade em buscas das alternativas e da definição do perfil que , enfim, desejamos para Ilhéus. A decisão do eleitor de em que mãos entregá-la, fará toda a diferença.
Se você acha que esse governo foi ruim, não atendeu a expectativa, aguarde para ver como se sairá o próximo, em terra arrasada. Todas as teorias se perdem diante do que vamos ter de enfrentar. Não será o momento para um plano pirata, mas para o exercício de inteligência no nível mais alto. A cidade criativa pode ser o caminho: conjunto de pequenas e micro iniciativas, cultura e turismo, tecnologia e integração.
Sobre infraestruturas, não temos nem como garantir e nem como esperar seus resultados. Teremos mais urgência. A criatividade tornar-se-á indispensável para substituir os empregos que não retornarão. Sem a cura, os costumes mudarão e com essa mudança, os focos de trabalho. Sem surpresa, vemos que da parte dos postulantes ao cargo maior do executivo ilheense, nenhuma luz é lançada sobre a presente treva.
Se têm o que propor, é preciso que demonstrem. A crítica só deve ser validada associada à proposição de soluções, o que não tem acontecido. E um dos atuais postulantes sentará na cadeira, "visse"?